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1.Contexto político e social do Novo Testamento Parte IV

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I.1.2.1. A política romana da Judeia Herodes, o Grande, foi durante muitos anos o braço de ferro do Império Romano, na Judeia. Com a sua morte, os filhos deram continuidade à dinastia herodiana e à política da vassalagem do então grande senhor do mundo, Otaviano, o Augusto, de Roma. Herodes morreu na residência de Jericó, em fins de março ou começo de abril do ano 4 a.C. Seu filho Arquelau transladou seu corpo para o Herodion . No fim desse mesmo ano, Augusto confirmou o testamento de Herodes, mas não deu a Arquelau o título de rei. Ele tornou-se etnarca, ou seja, o governador da Judeia, da Iduméia e da Samaria, de 4 a.C. a 6 d.C. Seu irmão Herodes Antipas foi nomeado tetrarca (governador de uma quarta parte da província) da Galileia e da Peréia, e leste do Jordão (4 a.C. – 39 d.C.) Filipe II, por sua vez, foi tetrarca da Gaulanítide, Batanéia, Traconítide e Auranítide, bem como do distrito de Panéias (Ituréia), de 4 a.C. a 34 d.C. [1] Arquelau, filho de Herodes, o Grande, a...

Epístola aos Hebreus - Parte III

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I.2. TEXTO, CÂNON, PROPÓSITO E ESBOÇO Diversas são as informações que podem auxiliar na leitura e interpretação de Hebreus. Além dos temas de destaque, precisamos antes esboçar a obra como um todo. No entanto, antes de prosseguir, algumas informações históricas também são de bastante relevância para o estudioso. Dentre eles, trataremos ainda do texto e de sua aceitação no cânon. Um fólio do Beatty  Papyrus II  p 46 1.2.1.       Texto No que diz respeito ao texto, os manuscritos mais importantes são alexandrinos em sua imensa maioria. A tradição bizantina é representada pelos unciais [1] K e L (século IX) e diversos minúsculos posteriores. No ocidente o texto de maior destaque é representado por D (Códice Claromontano, século VI) e também pela Antiga Versão Latina. De forma geral, Hebreus está bem preservado. [2] Ainda concernente ao texto, o gênero literário se reveste de grande importância. Mais uma vez nos deparamos com um...

Epístola aos Hebreus - parte II

I.1.1. Autoria No corpo do texto mesmo não encontramos indicação alguma a respeito de seu autor. Ao contrário da maioria dos escritos do Novo Testamento, o escritor não se identifica. Disso resulta que chamar o texto de Hebreus de carta ou epístola já é bastante controverso. Todas as tentativas de identificar o autor de Hebreus têm sido infrutíferas. E o fato de ser anônimo dificulta a localização do autor. Como observamos nas cartas encontradas ao longo do cânon do Novo Testamento, é comum que o texto tenha já em sua introdução a identificação de seu autor(-es). Em seguida a introdução menciona seus destinatários e termina com uma saudação e ação de graças – há pequenas variações, mas normalmente o padrão é seguido. Da mesma forma o final das cartas geralmente contém alguns votos e saudações finais. Neste caso o texto de Hebreus termina em forma de carta. Do que foi dito, podemos concluir que o texto de Hebreus tem a introdução de um livro, em seu desenvolvimento segue a for...

Epístola aos Hebreus - parte I

I – HEBREUS Nosso objetivo aqui é compreender os principais pensamentos acerca das questões introdutórias do livro de Hebreus e o conteúdo geral desta obra como marca do período inicial da expansão do cristianismo. Ao concluir este estudo o leitor será capaz de explicar algo mais a respeito do cristianismo do primeiro século, descrever o conteúdo, a mensagem e algumas características introdutórias de Hebreus. Veremos os principais pensamentos da epístola de Hebreus que não é propriamente uma epístola, tampouco o que chamam comumente de homilia. Não tem introdução, nem começa com as costumeiras frases de endereçamento e saudações. A matéria contida neste documento neotestamentário prontamente se divide em dois aspectos: o doutrinário e o exortativo. Você logo perceberá que o pensamento dominante é a superioridade de Cristo. Mais uma vez você está diante de uma leitura fascinante. Pode ter a certeza de que a sua dedicação será grandemente recompensada! É hora de começar o...

1.Contexto político e social do Novo Testamento Parte III

I.1.2. O século I d.C. No século I d.C. o domínio da Palestina estava totalmente nas mãos do Império Romano. Neste período o Império se estendia desde o Oceano Atlântico até o Rio Eufrates no Oriente (Leste-Oeste); desde a região próxima à atual Inglaterra alcançando o Rio Danúbio, o Mar Negro até o Mar Cáspio, até a África dominando todos os povos que habitavam as margens do Mar Mediterrâneo até o Mar Vermelho. [1] É bom lembrar, no entanto, que Roma herdou este “mundo” do legendário Alexandre Magno que, em treze anos no poder (336- 323 a .C.), dominou o Império Persa e estendeu-o, estabelecendo um vasto império que deixaria suas marcas séculos depois. Alexandre Magno sonhava com a possibilidade de toda a terra ser unida num único estado em que todos participariam da mesma cultura. [2] Os gregos tinham um modo particular de conceber a vida em família e na sociedade, muito menos marcada pela tradição e pela dimensão comunitária. Tinham diferentes formas de organização so...

1.Contexto político e social do Novo Testamento Parte II

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I.1.1.2. Os Macabeus Na luta dos Macabeus combinaram-se a grandeza e a tragédia. As suas decisões e lutas eram inspiradas no zelo e na Lei do Deus de Israel. Eles salvaram a Lei e o culto divino no Templo da mais grave crise produzida até então pela helenização. Os Selêucidas eram fortes no poder militar e na política, mas nunca conseguiram se impor de forma estável na Judeia, diante da resistência dos judeus observantes da Lei. Os Macabeus foram além dos interesses religiosos. Viram-se obrigados a passar do zelo pela Lei à política do poder. Só a indecisão e a debilidade do governo central sírio poderiam permitir aos Macabeus alcançar seu objetivo religioso e sua independência política. [1] Em 167 a.C. irrompe uma revolta judaica, liderada por Matatias, um sacerdote que vivia ao noroeste de Jerusalém, em Modin. Esta revolta se alargou por trinta e cinco anos, levada a cabo por Judas Macabeu, Jônatas e Simão, filhos de Matatias. [2] Nesta ocasião, alguns piedosos – os as...

1.Contexto político e social do Novo Testamento Parte I

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Se quisermos compreender melhor os textos bíblicos, é bastante importante conhecer alguns aspectos relevantes da Palestina [1] do século I. a.C. Para obtermos melhor aproveitamento em nossos estudos dos textos bíblicos, precisamos ter um conhecimento, ainda que introdutório, das situações política, econômica, social e religiosa que formavam o ambiente no qual Jesus nasceu, viveu, desenvolveu o seu ministério, morreu e ressuscitou. De igual modo, devemos compreender o ambiente onde seus seguidores (os discípulos) deram sequência ao movimento iniciado por Jesus de Nazaré dentro do judaísmo da época. Sabemos que Jesus pertencia ao povo judeu. Nasceu e morou na região que, a partir do século II d.C., ficou conhecida como Palestina. De acordo com os relatos que encontramos nos Evangelhos, Jesus atuou em várias regiões da Palestina, desde a região da Galileia até a capital Jerusalém. Ele atravessou fronteiras indo à Síria e Samaria. Para uma melhor compreensão dos Evangelhos, portan...