1.Contexto político e social do Novo Testamento Parte III
No século I d.C. o
domínio da Palestina estava totalmente nas mãos do Império Romano. Neste
período o Império se estendia desde o Oceano Atlântico até o Rio Eufrates no
Oriente (Leste-Oeste); desde a região próxima à atual Inglaterra alcançando o Rio
Danúbio, o Mar Negro até o Mar Cáspio, até a África dominando todos os povos
que habitavam as margens do Mar Mediterrâneo até o Mar Vermelho.[1]
É bom lembrar, no entanto, que Roma herdou este “mundo” do legendário Alexandre Magno que, em
treze anos no poder (336-323 a .C.),
dominou o Império Persa e estendeu-o, estabelecendo um vasto império que
deixaria suas marcas séculos depois. Alexandre Magno sonhava com a
possibilidade de toda a terra ser unida num único estado em que todos
participariam da mesma cultura.[2]
Os gregos tinham um modo
particular de conceber a vida em família e na sociedade, muito menos marcada
pela tradição e pela dimensão comunitária. Tinham diferentes formas de
organização social, de tradições culturais e de vivências religiosas. É com
essa realidade que o povo de Israel teve que conviver por muitos anos e em
constante conflito.[3]
O movimento iniciado por
Alexandre, que ficou conhecido como “helenismo”, ainda que no século I o
império fosse o romano, prevaleceu na cultura e ainda dominava durante este
período. O seu domínio era tão grande que a língua grega era uma das principais na parte
oriental do Império Romano. As diversas regiões podiam conservar seus idiomas
ou dialetos locais. A Síria utilizava o aramaico, a Palestina o hebraico.
Contudo, no mundo dos negócios, política e cultura seguramente utilizavam o
grego. Dessa forma, podemos dizer que qualquer pessoa na Palestina era de fala
bilíngue, ou talvez até trilíngue, em virtude da necessidade. Todavia, a língua
oficial do império era o latim, o que fazia que pelo menos as pessoas que
tinham mais acesso as autoridades romanas também conhecessem a língua do
imperador.[4]
Retomando o período um pouco anterior, ficamos sabendo que Antíoco IV Epifânio foi quem promoveu a helenização na Judeia. Como ele não era aceito em Jerusalém, mandou Apolônio para helenizar a cidade e tomar as medidas necessárias para sua segurança militar. Em todos os seus empreendimentos encontrou grande apoio nos Sumos sacerdotes helenizados. Mandou construir ao lado do Templo, na colina ocidental, Acra, a cidade alta, também conhecida com o nome de “Antioquia de Jerusalém”. Não era muito grande, mas servia para abrigar a guarnição sírio-macedônica e refugiar os judeus helenizantes, até ser conquistada, como vimos, por Simão Macabeu (1Mc 1.29; 1.33-35; 13.49-51).
Logo após ter derrotado
Marco Antonio e Cleópatra na batalha naval Actium,
no ano 31 a .C.
Augusto tornou-se imperador de Roma. Em seguida houve um período de expansão e
de paz conhecido como Pax Romana. Foi
nesta época que Otaviano recebeu o nome de Augusto e reinou até o ano 14 d.C. O
Império Romano dividia os extensos territórios em províncias, as quais estavam
sujeitas ao governo central.[5]
Todas elas eram tributárias de Roma. Essas províncias eram de duas espécies:
Províncias Senatoriais e Províncias Imperiais.[6]
Vejamos em primeiro lugar
as Províncias Senatoriais. Com a paz estabelecida e a lealdade declarada a
Roma, estavam sob a tutela do Senado romano, e eram governadas por procônsules.
Alguns deles, inclusive, são mencionados no Novo Testamento (At 13.7; 18.12,
por exemplo). Uma província podia incluir várias nacionalidades (At 14.6,11). O
apóstolo Paulo menciona várias dessas províncias ao longo de suas cartas (Rm
15.19,24,26; 2Tm 4.10; Gl 1.21). Havia relativa liberdade religiosa e política
nessas províncias. Algumas delas, até mesmo tinham conselhos (At 19.31).[7]
As Províncias Imperiais
eram as que apresentavam maior risco de turbulências. O imperador indicava
procuradores que exerciam autoridade civil e militar através de um exército
para a repressão de rebeliões e o estabelecimento da paz. Alguns desses
procuradores também são mencionados no Novo Testamento (Mt 27.11; At
23.24-24.27; 25.1-26.32). Este era o caso da província imperial da Síria e da
região procuratoriana da Judeia.[8]
[1] MAINVILLE,
Odette (org). Escritos e ambiente do
Novo Testamento: uma introdução. Petrópolis: Vozes, 2002, p. 20.
[2] MAINVILLE,
Odette (org). Op Cit., p. 19.
[3] GUSSO,
Antônio Renato. Panorama Histórico de
Israel para Estudantes da Bíblia. Curitiba: A. D. SANTOS EDITORA, 2003, pp.
171-184.
[4] MAINVILLE,
Odette (org). Op Cit., pp. 39-41.
[5] MAINVILLE,
Odette (org). Op Cit., p. 20-21.
[6] COLLI,
Gelci André. Evangelhos e Atos. Curitiba:
Unidade, 2010, p. 22.
[7] Ibidem, p. 22.
[8] Idem, p. 23.
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