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Mostrando postagens com o rótulo Evangelhos e Atos

2. Evangelhos: questões introdutórias - I

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II. EVANGELHOS : QUESTÕES INTRODUTÓRIAS Com Marcos surgiu um tipo de escrito que acabou por fazer sucesso na literatura cristã do primeiro século: o Evangelho. Ele foi imitado pelos outros três Evangelhos (Mateus, Lucas e João) e por autores apócrifos até o século IV. Ao reunir tradições esparsas em um relato de natureza biográfica consagrado à vida de Jesus, Marcos fez uma obra inédita. Até então, a tradição cristã só conhecia sequências narrativas limitadas – a história da Paixão, por exemplo – coleções de ditos – logia , ou as cartas de Paulo. O primeiro evangelista (Marcos) se descobre criador de um gênero literário. Perguntamos: o Evangelho é um gênero literário ímpar na literatura, é um fenômeno único, ou podemos afiliá-lo a outros gêneros literários que circulavam na época? [1] II.1. Conceito teológico Na origem, euvagge,lion – euanguélion (a boa-notícia) não indica um livro, mas um anúncio favorável ou a mensagem transmitida por esse anúncio favorável. No ...

1.Contexto político e social do Novo Testamento Parte V

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I.1.2.3. Aspectos do Mundo Religioso Os judeus desta época deviam ter algum tipo de conhecimento a respeito das religiões não judaicas dos povos com os quais mantinham contato. Também é verdade que muitos desses povos tinham conhecimento da religião judaica. Na Palestina, inclusive em regiões em que a maioria da população era judaica, havia uma forte influência do helenismo. [1] O mundo greco-romano no tempo de Jesus Cristo apresentava um vigoroso fluxo religioso. Diversos cultos proliferavam. As misturas e as combinações de crenças (sincretismo) e comportamentos criavam por vezes um pluralismo que era intolerante somente com as religiões exclusivistas e fechadas, como o judaísmo e o cristianismo. [2] Diversos cultos de mistério acabaram por surgir derivados de antigas cerimônias tribais e até de fertilidade. Alguns eram oriundos da Grécia, outros eram importações estrangeiras, especialmente da Pérsia e do Egito. As práticas rituais podiam variar desde a serenidade até o gr...

1.Contexto político e social do Novo Testamento Parte IV

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I.1.2.1. A política romana da Judeia Herodes, o Grande, foi durante muitos anos o braço de ferro do Império Romano, na Judeia. Com a sua morte, os filhos deram continuidade à dinastia herodiana e à política da vassalagem do então grande senhor do mundo, Otaviano, o Augusto, de Roma. Herodes morreu na residência de Jericó, em fins de março ou começo de abril do ano 4 a.C. Seu filho Arquelau transladou seu corpo para o Herodion . No fim desse mesmo ano, Augusto confirmou o testamento de Herodes, mas não deu a Arquelau o título de rei. Ele tornou-se etnarca, ou seja, o governador da Judeia, da Iduméia e da Samaria, de 4 a.C. a 6 d.C. Seu irmão Herodes Antipas foi nomeado tetrarca (governador de uma quarta parte da província) da Galileia e da Peréia, e leste do Jordão (4 a.C. – 39 d.C.) Filipe II, por sua vez, foi tetrarca da Gaulanítide, Batanéia, Traconítide e Auranítide, bem como do distrito de Panéias (Ituréia), de 4 a.C. a 34 d.C. [1] Arquelau, filho de Herodes, o Grande, a...

1.Contexto político e social do Novo Testamento Parte III

I.1.2. O século I d.C. No século I d.C. o domínio da Palestina estava totalmente nas mãos do Império Romano. Neste período o Império se estendia desde o Oceano Atlântico até o Rio Eufrates no Oriente (Leste-Oeste); desde a região próxima à atual Inglaterra alcançando o Rio Danúbio, o Mar Negro até o Mar Cáspio, até a África dominando todos os povos que habitavam as margens do Mar Mediterrâneo até o Mar Vermelho. [1] É bom lembrar, no entanto, que Roma herdou este “mundo” do legendário Alexandre Magno que, em treze anos no poder (336- 323 a .C.), dominou o Império Persa e estendeu-o, estabelecendo um vasto império que deixaria suas marcas séculos depois. Alexandre Magno sonhava com a possibilidade de toda a terra ser unida num único estado em que todos participariam da mesma cultura. [2] Os gregos tinham um modo particular de conceber a vida em família e na sociedade, muito menos marcada pela tradição e pela dimensão comunitária. Tinham diferentes formas de organização so...

1.Contexto político e social do Novo Testamento Parte II

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I.1.1.2. Os Macabeus Na luta dos Macabeus combinaram-se a grandeza e a tragédia. As suas decisões e lutas eram inspiradas no zelo e na Lei do Deus de Israel. Eles salvaram a Lei e o culto divino no Templo da mais grave crise produzida até então pela helenização. Os Selêucidas eram fortes no poder militar e na política, mas nunca conseguiram se impor de forma estável na Judeia, diante da resistência dos judeus observantes da Lei. Os Macabeus foram além dos interesses religiosos. Viram-se obrigados a passar do zelo pela Lei à política do poder. Só a indecisão e a debilidade do governo central sírio poderiam permitir aos Macabeus alcançar seu objetivo religioso e sua independência política. [1] Em 167 a.C. irrompe uma revolta judaica, liderada por Matatias, um sacerdote que vivia ao noroeste de Jerusalém, em Modin. Esta revolta se alargou por trinta e cinco anos, levada a cabo por Judas Macabeu, Jônatas e Simão, filhos de Matatias. [2] Nesta ocasião, alguns piedosos – os as...

1.Contexto político e social do Novo Testamento Parte I

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Se quisermos compreender melhor os textos bíblicos, é bastante importante conhecer alguns aspectos relevantes da Palestina [1] do século I. a.C. Para obtermos melhor aproveitamento em nossos estudos dos textos bíblicos, precisamos ter um conhecimento, ainda que introdutório, das situações política, econômica, social e religiosa que formavam o ambiente no qual Jesus nasceu, viveu, desenvolveu o seu ministério, morreu e ressuscitou. De igual modo, devemos compreender o ambiente onde seus seguidores (os discípulos) deram sequência ao movimento iniciado por Jesus de Nazaré dentro do judaísmo da época. Sabemos que Jesus pertencia ao povo judeu. Nasceu e morou na região que, a partir do século II d.C., ficou conhecida como Palestina. De acordo com os relatos que encontramos nos Evangelhos, Jesus atuou em várias regiões da Palestina, desde a região da Galileia até a capital Jerusalém. Ele atravessou fronteiras indo à Síria e Samaria. Para uma melhor compreensão dos Evangelhos, portan...