Epístola aos Hebreus - parte I

I – HEBREUS

Nosso objetivo aqui é compreender os principais pensamentos acerca das questões introdutórias do livro de Hebreus e o conteúdo geral desta obra como marca do período inicial da expansão do cristianismo.
Ao concluir este estudo o leitor será capaz de explicar algo mais a respeito do cristianismo do primeiro século, descrever o conteúdo, a mensagem e algumas características introdutórias de Hebreus.
Veremos os principais pensamentos da epístola de Hebreus que não é propriamente uma epístola, tampouco o que chamam comumente de homilia. Não tem introdução, nem começa com as costumeiras frases de endereçamento e saudações. A matéria contida neste documento neotestamentário prontamente se divide em dois aspectos: o doutrinário e o exortativo. Você logo perceberá que o pensamento dominante é a superioridade de Cristo.
Mais uma vez você está diante de uma leitura fascinante. Pode ter a certeza de que a sua dedicação será grandemente recompensada!

É hora de começar os estudos!

I.1 – O LIVRO DE HEBREUS

Da mesma forma que qualquer outro livro da Bíblia, ao se colocar diante do texto de Hebreus, o estudante ávido por entendimento percebe logo que diversas perguntas devem ser feitas a respeito da escrita de um documento bíblico, neste caso do Novo Testamento, muitas das quais, no caso de Hebreus, são impossíveis de ser respondidas com certo grau de certeza. Mesmo assim podem ser sugeridas algumas respostas, desde que seja vista a possibilidade de sustentá-las com bom senso. No entanto é preciso admitir que, na verdade, não sabemos quem ao certo é o autor deste texto e, da mesma forma, seus destinatários primeiros são desconhecidos.
É preciso dizer ainda que nossa ignorância a respeito desses e de outros particulares não pode se constituir em impedimento para uma boa compreensão do valor teológico e espiritual de um documento que, desde o princípio, tem comprovado por si mesmo a sua autoridade quando se tem em vista seu valor intrínseco. De fato, “a única resposta adequada, dada pela fé cristã a essas perguntas, é que o próprio Deus é seu Autor primário”. Davidson lembra ainda que os cristãos “de todos os séculos são os leitores divinamente desejados para este texto”. Isto se deve à verdade de que por intermédio deste texto Deus tem falado e continua falando ao seu povo por meio de seu Espírito. Esta é, pois, a maior vindicação do seu lugar no cânon do Novo Testamento.[1]
É muito oportuno o comentário de Brown a respeito deste documento. Ele consegue sintetizar em poucas linhas o que pode ser chamado de uma boa descrição do texto de Hebreus: “Em todos os aspectos, essa é uma das obras mais notáveis do NT. Conscientemente retórica, cuidadosamente elaborada, habilmente redigida em grego primoroso e apaixonadamente entusiasta de Cristo, Hebreus oferece um número excepcional de inesquecíveis noções que modelaram o cristianismo subsequente.[2]
Mesmo assim, ressaltamos que muito do que pretendemos saber concernente a Hebreus ainda é um enigma.




[1] DAVIDSON, F. O Novo Comentário da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, 1997, p. 1345.
[2] BROWN, R. E. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Paulinas, 2004, p. 891.


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