Epístola aos Hebreus - parte V


4 – TEMAS CENTRAIS

Dando continuidade a análise dos temas encontrados em Hebreus, passamos agora a perceber que o longo trecho que vai de 4:14 à 7:28 trata da superioridade do sacerdócio de Jesus e segue em 8:1 – 10:18 argumentando a respeito da superioridade do sacrifício de Jesus e de seu ministério no tabernáculo celeste, inaugurando uma nova aliança. Após estes longos trechos, o conteúdo e tema passa para uma abordagem da fé e da paciência como fruto da obra sacerdotal de Jesus. Para tanto o autor discorre também sobre diversos exemplos ou modelos de fé fazendo uso, mais uma vez, das Escrituras do Antigo Testamento. Aborda o sofrimento de Cristo e a disciplina do Senhor, advertindo seus leitores contra a desobediência por meio de exemplos do Antigo Testamento. A partir de 13:1, finalmente, o escritor traz injunções sobre a ação e conclui com benção e saudações, desta feita, em gênero literário epistolar. Vejamos então de forma resumida os diversos temas encontrados a partir de Hebreus 4:14.

4.1. A superioridade do sacerdócio de Jesus sobre Arão

Em 2:17 o autor de Hebreus chamou Jesus de sumo sacerdote. Agora ele desenvolve este conceito, provando agora a superioridade de Jesus sobre os sacerdotes do Antigo Testamento.[1] A partir deste, ponto no verso inaugural (4:14), é declarado o tema dominante: “Tendo, pois” – essas palavras são enfáticas – “um grande sumo sacerdote”, ou seja, sumo sacerdote eminente; alguém que tem sua grandeza na sua natureza essencial: Ele é verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Brown chama a atenção para o fato de que:

“Embora Hebreus e João partilhem a noção de uma encarnação, não encontramos em João uma descrição da realidade da humanidade de Jesus comparada à apresentada por essa seção de Hebreus. Sumo sacerdote que é capaz de compadecer-se de nossa fraqueza, Jesus foi provado em tudo, como nós, exceto no pecado (Hb 4,15). Tal qual o sumo sacerdote israelita, Cristo não se exaltou, mas foi escolhido por Deus, um aspecto ilustrado pelos salmos de coroação real (Hb 5:1-6). Descrevendo os sofrimentos de Jesus nos dias de sua carne, quando apresentou orações e súplicas àquele que tinha o poder de salvá-lo da morte (Hb 5,7-9), o escritor afirma que Jesus aprendeu a obediência, não obstante fosse o Filho […] Quando ele foi levado à perfeição, transformou-se em fonte de eterna salvação pata todos os que lhe obedecem […].[2]

Cristo é, pois, superior a Arão e seus sucessores no ofício sumo sacerdotal (5:1 – 12:29). O autor da epístola aos Hebreus primeiramente destaca dois pontos semelhantes entre os sacerdotes levíticos e Jesus Cristo:
(1)           À semelhança de Arão, Cristo foi divinamente nomeado ao sumo sacerdócio;
(2)           Ao compartilhar de nossa experiência humana, Cristo adquiriu por nós uma simpatia pelo menos, isto é, no mínimo igual à de Arão (5:1 – 10). O maior exemplo desses sentimentos de Jesus é que Ele instintivamente procurou até furtar-se da morte, quando orava no jardim do Getsêmani – embora jamais do terror da morte, como se fosse culpado, e, obviamente, também não houve a recusa de aceitar a cruz.[3]
Veja que assim como o sumo sacerdote tinha de atravessar o santuário terreno, a fim de prestar serviço no lugar santíssimo – ou santos dos santos – assim também Jesus “penetrou nos céus” (4:14) para chegar à presença de Deus. A fraqueza do ser humano designa sua caducidade tanto no aspecto do corpo como na fé (4:15). Uma vez que Jesus Cristo, o Filho de Deus, abriu-nos o caminho até Deus, também devemos trilhá-lo agora. Portanto, o fato de termos um sacerdote junto a Deus que intercede por nós também nos dá o direito de chegar em oração a Deus com alegre confiança.
Em seguida, o autor traz ao centro a ordem de Deus para o sumo sacerdócio na terra (5:1). Com as palavras “dentre os humanos... a favor dos seres humanos” (ex anthrőpon... hypér anthrőpon - evx avnqrw,pwn ... u`pe.r avnqrw,pwn) os leitores são confrontados pelo privilégio e limitação, incumbência e responsabilidade do sumo sacerdócio terreno em Israel. Para oferecer apropriadamente sacrifícios por outras pessoas, o sumo sacerdote precisava “condoer-se dos ignorantes e dos que erram”. É um “sentir com os” (metriopatheín – metriopaqei/n) (5:2). Este vocábulo consta somente aqui no Novo Testamento e ressalta que o sumo sacerdote terreno era repetidamente exortado por sua própria culpa e fraqueza, a ser comedido em sua indignação e ira pelas incessantes transgressões do povo de Deus. Aí está a diferença essencial entre a mentalidade do sumo sacerdote Arão e a mentalidade do Sumo Sacerdote celestial Cristo. A expressão “sentir com” remete de volta à expressão usada em 4:15 para Cristo: é o compadecer-se (sympathēsai – sumpaqh/sai)[4], literalmente simpatizar-se. Durante sua vida terrena Jesus conheceu a dimensão absoluta da susceptibilidade humana à tentação e à culpa, embora tenha permanecido sem pecado e sem falhas. É aí que encontramos o fundamento de sua profunda e cordial misericórdia pelos seres humanos, que mesmo os já salvos, continuam suscetíveis à tentação e vulneráveis para o pecado.[5]
No trecho que vai de 5:11 à 6:20 encontram-se dois temas de profunda relevância. A critica contra a imaturidade espiritual (5:11-14) e a impossibilidade de renovar o arrependimento; sendo o último tema bastante controvertido.
Quanto a imaturidade espiritual, o autor de Hebreus retorna à exortação, desta feita repreendendo a imaturidade de seus primeiros leitores, que, segundo ele escreve, precisam beber leite, mostrando-se incapazes de absorver alimento sólido.[6] É evidente que todo crescimento necessita de tempo, tanto na vida espiritual quanto na física. Dessa forma, embora a crítica do escritor seja inegável, ela também contém ao mesmo tempo uma indicação da maravilhosa possibilidade divinamente concedida aos cristãos; existe, na acepção mais correta, um “exercitar-se na vida espiritual”, são os bons hábitos que não deveriam faltar nas vidas dos filhos de Deus. Na concepção de Brown a “enumeração de seis pontos da doutrina elementar em Hebreus 6:1-2 é um pouco vexatória para os cristãos de hoje”.
No trecho de 6:1 – 8 alguns afirmam que aí se encontra o ensino de que um verdadeiro cristão pode perder sua salvação. Este é um tema controvertido. Que apostasia é uma preocupação do autor fica evidente em 6:4 – 8 (da mesma forma que em Hebreus 10:26 – 31), quando ele declara que não existe arrependimento depois da iluminação. Dockery lembra que essa passagem estaria então em contradição com outras passagens do Novo Testamento como João 10:27 – 29, Romanos 11:29 e Filipenses 1:6. Há também aqueles que veem a advertência como hipotética e não real.[7]
É importante que se estude essa passagem à luz de seu paralelo mesmo em Hebreus 10:26 – 32, que torna a interpretação pouco provável. O texto se dirige a pessoas “que uma vez foram iluminadas”. Trata-se, portanto, de um acontecimento de fé caracterizado como único. Em 10:32 encontramos: “Lembrai-vos, porém, dos dias anteriores, em que, depois de iluminados (photisthénias – fwtisqe,ntaj). Em ambas as passagens o verbo está no aoristo passivo; isto nos indica que: a) o aoristo descreve uma ação indefinida que normalmente ocorre no passado. Da mesma forma que o imperfeito é sempre contínuo, o aoristo é sempre indefinido. Ele informa ao leitor que a ação aconteceu, mas nada mais a respeito da ação. Isso significa que na tradução pode ser empregado o português no pretérito perfeito: “estudei”, e não “estudava”. Contudo, apesar de ser comum ouvir dizer que os verbos no aoristo denotam uma ação completada, acabada, mas nem sempre é essa a intenção do texto. Sempre devem ser evitados os extremos e, ao invés de fixar-se meramente no verbo, observar o contexto[8]; b) o verbo está no passivo, indicando uma ação externa. Ou seja, os cristãos não obtiveram a iluminação por si mesmos, mas “foram iluminados” por uma ação exterior. Esta é a ação de Deus por meio do Espírito Santo, através da fé em Cristo Jesus.
Laubach salienta que se compararmos com o texto em 2 Coríntios 4:6, onde o apóstolo Paulo descreve o mesmo acontecimento, somos levados à conclusão de que a iluminação que acontece uma única vez deve estar se referindo mesmo à fundação da fé, isto é, ao recebimento do Espírito Santo na conversão e no renascimento.[9] Veja que as palavras subsequentes parecem depor em favor dessa leitura. A ênfase pode estar na realidade de que o perigo da apostasia acompanha a trajetória do discípulo como uma “possibilidade”. A apostasia não deve ser entendida como um “pecado qualquer”, mas sim como uma ruptura completa da vida com Jesus, o abandono da verdade divina experimentada. Portanto, uma pessoa que interrompeu radicalmente as pontes até Jesus Cristo jamais poderá retornar a ele. Dessa forma a palavra do escritor faz eco às palavra do próprio Jesus em Marcos 3:29 “aquele que blasfemar contra o Espírito Santo não tem perdão para sempre!”.[10]
Em 6:9-20 vem assim o incentivo e ânimo para que os discípulos perseverem nas promessas de Deus. Brown lembra que Deus é fiel às promessas, e isso é a garantia para a eficácia da intercessão de Jesus no interior do santuário celeste, como sumo sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque.[11] Este é um outro tema muito interessante. O que fica por aqui é a certeza inabalável da salvação, bem como da confiança na redenção já experimentada e eternamente válida. Jesus mesmo, em João 10:28, declara em vista das pessoas que o seguem com verdadeira obediência de fé: “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão”. Em João 17:24 ele afirma: “Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste [...]”. De acordo com Laubach, essas palavras atestam o inabalável refúgio que o ser humano pode experimentar em meio ao mundo pela fé em Cristo Jesus.[12] Contudo, deve ficar claro que não se trata de uma promessa sem premissas, Deus espera que a pessoa se arrependa consciente de sua absoluta perdição.











4.2. A superioridade do sacerdócio de Jesus sobre Melquisedeque

O autor de Hebreus resgata a história de Melquisedeque[13] (Gênesis 14:17-20) para explicar a natureza do sacerdócio de Cristo. O Salmo 110:4 é a única passagem que faz referência ao misterioso relato de Gênesis.[14] A Bíblia não registra nem o início nem o fim de sua vida. Mas, acima de qualquer especulação, o que deve ficar patente aos olhos do estudante é que Melquisedeque[15] é superior ao patriarca Abraão, ao seu descendente Levi e aos sacerdotes de Arão. Os levitas descendem de Arão; Melquisedeque é de origem celestial; Os levitas recebem dízimos de seus irmãos; Melquisedeque recebeu o dízimo do ancestral; Também os levitas estão obrigados a entregar o dízimo a Melquisedeque, pois seu ancestral Levi estava nos “quadris” do patriarca Abraão quando este se encontrou com Melquisedeque; No final Melquisedeque abençoou Abraão e, portanto, esta bênção não pode ser invertida. O cumprimento da esperança do Antigo Testamento por uma nova ordem sacerdotal inclui que alguém que pela lei de Moisés não tem nenhuma promessa para isto pode vir a ser sacerdote. Não é mais Levi, mas Judá é a Nova Aliança, a casa de onde procede o sacerdócio.
Portanto, afirma Laubach, o sumo sacerdócio de Jesus, bem como no sacerdócio da igreja, não estão fundamentados sobre a lei do Antigo Testamento, mas, assim como Melquisedeque, sobre a riqueza interior da pessoa bendita do Senhor Jesus Cristo, sobre sua glória divina: “… não com base numa lei de determinações humanas, porém com base e no poder de uma vida indissolúvel.[16] É assim que o estudante deve ver sua vida pessoal nessas grandes correlações, que se ordenam todas sob a mão de Deus num plano perfeito e, por isso mesmo, louvar e adorar a Deus por tudo isto.

4.3. A superioridade do ministério sacrificial de Jesus e do tabernáculo celeste, inaugurando uma nova aliança

Em 8:1 – 10:18 vemos que a idéia de que Jesus é um sumo sacerdote perante Deus leva à idéia de um tabernáculo celeste. É esclarecedora a afirmação de Koester de que na interpretação do Antigo Testamento o escritor de Hebreus segue o método alegórico alexandrino, conhecido por meio das obras de Fílon de Alexandria – Paulo também conhecia este método como se lê em 1 Coríntios 10:1-13, por exemplo.[17] Além da alegoria, Hebreus ainda tem com comum com Fílon uma cosmovisão platônica, ou seja, a transitoriedade terrena é sombra e cópia da realidade celeste. Nos textos do Antigo Testamento usados para referir-se ao tabernáculo (Êxodo 25:9-40; 26:30, dentre outros) o autor pôde inspirar-se em uma longa tradição de interpretação. Os correlatos mais próximos para suas declarações exegéticas bem como para seu método interpretativo encontram-se nos escritos de Fílon de Alexandria. Contudo, não é possível demonstrar alguma dependência direta de Fílon.[18]
Os textos do Antigo Testamento mencionados narram como Deus mostrou a Moisés o modelo celeste segundo o qual o tabernáculo terreno deveria ser construído. Em Hebreus 8:2-7, esse santuário anterior pode estar influenciado mesmo pelo esquema platônico da realidade. Neste esquema Brown menciona que o tabernáculo celeste, erigido por Deus é verdadeiro, enquanto o tabernáculo terreno é uma cópia ou uma sombra.[19]
Ao usar o esquema platônico, afirmando que a Antiga Aliança com seus sacrifícios do santuário não era senão uma sombra da realidade celestial, o escritor fornece em contraste a realidade de que o sacrifício de Cristo, que estabeleceu a Nova Aliança, foi sua entrada no templo ou tabernáculo celeste verdadeiro. É por isso que a Nova Aliança está firme. Parece que o argumento não é dirigido contra o judaísmo, mas contra o gnosticismo, que nega a realidade da morte de Cristo. Veja que o texto afirma que essa entrada na realidade do templo celeste foi realizada por Cristo por meio de sua própria carne, ou seja, sua morte física humana real.[20]

4.4. Fé e paciência: utilidade da obra sacerdotal de Jesus

Agora estamos quase ao final do texto. Após apontar para a realidade da superioridade de Cristo, o escritor volta-se para a exortação à fé e à paciência (10:19 – 12:29).
Agora é necessário manter-se firme na confissão deste sumo sacerdote, Jesus Cristo, e não mais cair no pecado (10:19-31). Como os leitores antes permaneceram fiéis no sofrimento, afirma Kümmel, devem agora esperar a vinda do Senhor Jesus com paciência firme e perseverante (10:32-39).[21] É aí que o escritor insere uma longa e magnífica lista de fiéis do Antigo Testamento. O autor trata de uma “multidão”, uma “nuvem” de testemunhas, iniciando com Abel e terminando em Jesus Cristo, o inaugurador – autor – e o realizador – consumador – da fé, cuja missão é fortalecer a fé que espera bênçãos e graças futuras, e que pode ter absoluta certeza e confiança nas coisas que são invisíveis (11:1 – 12:3). Ele convida seus leitores a olhar para Jesus (aphorõntes eis tòn tês písteos archegòn kaì teleiotèn, Iesoyn - avforw/ntej eivj to.n th/j pi,stewj avrchgo.n kai. teleiwth.n VIhsou/n), o pioneiro (fundador) e aperfeiçoador de nossa fé (12:1-3). Jesus é aquele que abriu o caminho para Deus e concluiu tudo o que era necessário. Dessa forma, todas as tribulações que eles enfrentaram devem ser suportadas como disciplina proveniente da mão amorosa de Deus (12:4-11); qualquer queda por falta de perseverança é como equiparar-se a Esaú.[22] Veja que o texto em (12:16) traz pórnos, è Bébelos, hos Esay (po,rnoj( h' be,bhloj( w`j VHsau/) onde o autor lhe dá os adjetivos de impuro – imoral, veja a raiz da palavra pornografia – e profano  As palavras “incontinente ou impuro” – também adúltero ou ímpio – evidentemente devem ser entendidas aqui no sentido figurado como “renegado e de mentalidade baixa”. Veja que no Antigo Testamento o adultério muitas vezes é usado como figura do afastamento de Deus (Ezequiel 16:1-43).
Dessa forma, Laubach exorta os estudantes a que se recordem mais uma vez de Moisés, que constitui um exemplo para a igreja pelo fato de haver preferido “ser maltratado junto com o povo de Deus a usufruir prazeres transitórios do pecado” (11:25).[23]

4.5. Exortação final e conclusão

Por fim, o escritor chega aos momentos finais de sua obra: (13:1-19) Exortação final e (13:20-25) como uma espécie de conclusão. Trata-se de uma conclusão epistolar, saudações pessoais e a bênção.
Na opinião de Carson as exortações finais, sem dúvida, são elaboradas de forma a impedir maneiras específicas em que a apostasia incipiente dos leitores primeiros corre o risco de se manifestar.[24] Ele dá instruções éticas (13:1-6); exorta-os a seguir o exemplo daqueles que foram os primeiros a lhes trazer o evangelho (13:7-8) e a que submetam-se a seus líderes atuais (13:17). Aqui ele insere um incentivo prático contrastando com os sacrifícios de louvor da Antiga Aliança, visto que estes foram cumpridos no sacrifício de Jesus Cristo, ocorrido “fora do acampamento” (13:9-16). Subentende-se que é infinitamente melhor participar de sua desgraça do que se afastar de sua graça. E sua graça é esta: que na aflição estamos seguros e que sob o nosso fardo encontramos a paz. O escritor encerra com um pedido de oração (13:18-19), insere sua própria oração e doxologia[25] (13:20-21), menciona alguns conhecidos e termina com as saudações finais e a bênção (13:24-25).
A oração final resume a estreita conexão entre os aspectos doutrinários e éticos do tema inteiro. Menciona a natureza de Deus – o Deus de paz, a ressurreição de Cristo, a função de Cristo – pastor, o sangue da aliança, e a aplicação prática – cumprir a vontade de Deus.
O pensamento básico que sustenta todas as afirmações do autor é que Jesus Cristo é o Filho de Deus desde toda a eternidade. De igual modo ele é ser humano e nos traz a palavra de clemência de Deus. Como Sumo Sacerdote ele ofereceu-se pessoalmente a Deus como oferta de sacrifício; Foi assim que ele efetuou a nossa salvação que possui um valor de vigência eterna. Depois da morte na cruz, Cristo foi aperfeiçoado pela ressurreição e ascensão tornando-se o precursor, o líder e consumador de sua igreja. Como Senhor vivo ele convida seus discípulos para fora deste mundo. Ele congrega todos os fiéis, formando o povo de Deus migrante da Nova Aliança, colocando-o no caminho que acaba diante do trono de Deus, onde está a verdadeira pátria. É exatamente pelo fato de os cristãos não terem cidade permanente neste mundo, que o lugar deles é onde Jesus sofreu. Este é o desafio de Hebreus para os fiéis de todos os tempos que procuram seu lugar em uma salvação celestial.





[1] BOYD R. G. In Comentario Bíblico Mundo Hispano. Tomo 23: Hebreos, Santiago, 1 y 2 Pedro, Judas. El Paso, Texas: Editorial Mundo Hispano, 2005, p. 68.
[2] BROWN, R. E. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Paulinas, 2004, p. 895.
[3] GUNDRY, ROBERT H. Panorama do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 249.
[4] Ressalta-se que esta “simpatia”, ou “ter compaixão” não é uma comiseração compreensiva que tolera tudo... mas um 'sentir com', o qual resulta da familiaridade total com a seriedade da situação e também tem condições de incluir a culpa que para nós mesmos está oculta. W. Michaelis, Ki-ThW, vol. v, p. 935 – 936. Apud Laubach (2000, p. 87).
[5] LAUBACH, F. Carta aos Hebreus: comentário esperança. Curitiba: Editora Evangélica Esperança, 2000, p. 87.
[6] BROWN, R. E. Op. Cit., p. 895.
[7] DOCKERY, D. S. Manual Bíblico Vida Nova. São Paulo: Vida Nova, 2001, p. 802.
[8] Para um estudo um tanto mais acurado a respeito do aoristo, veja MOUNCE, W. D. Fundamentos do grego bíblico: livro de gramática. São Paulo: Editora Vida Nova, 2009, p. 233 – 267.
[9] LAUBACH, F. Op. Cit., p. 99.
[10] Idem, p. 101.
[11] BROWN, R. E. Op. Cit., p. 896.
[12] LAUBACH, F. Op. Cit., p. 109.
[13] Pelos Manuscritos do Mar Morto – 11Q Melquisedec ficamos sabendo um pouco mais a respeito do misticismo que envolvia Melquisedec como figura celeste. KOBELSKI, P.J. Apud BROWN, R. E. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Paulinas, 2004. p. 896.
[14] DOCKERY, D. S. Op. Cit., p. 802.
[15] É sugerido que os conversos da comunidade do Mar Morto levaram algumas de suas crenças para o cristianismo (Yigael Yadin, The Scrolls and the Epistle to the Hebrews – Os Rolos e a Epístola aos Hebreus – p. 38). [...] Contudo, uma leitura cuidadosa de Hebreus e do documento 11 Q Melq. Revela uma ampla discrepância de pensamento básico. Parece que o autor de Hebreus não obteve esta informação sobre Melquisedeque na comunidade essência, mas no Antigo Testamento. O Melquisedeque [...] de Hebreus aparece como a figura histórica na história de Israel, e não como uma figura angelical, conforme acreditado pelos essênios. O conceito essênio de Messias, em sua relação com a linha real de Davi e o sacerdócio araônico, não se iguala favoravelmente com o de Hebreus, embora sejam usados termos semelhantes. Veja em HALE, B. D. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2001, p. 349.
[16] LAUBACH, F. Op. Cit., p. 130.
[17] KOESTER, H. Introdução ao Novo Testamento. Vol. 2. São Paulo: Paulus, 2005, p. 292.
[18] Idem, p. 293.
[19] BROWN, R. E. Op. Cit., p. 897.
[20] KOESTER, H. Op. Cit., p. 295.
[21] KUMMEL, W. G. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Paulus, 1982, p. 513.
[22] CARSON, D. A. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1997, p. 436, 437.
[23] LAUBACH, F. Op. Cit., p. 213.
[24] CARSON, D. A. Op. Cit., p. 437.
[25] Vem dos termos gregos doxa, «louvor», «honra», «glória», e logos, «palavra», ou seja, algo dito que expressa louvor, atribuindo glória e honra a alguém, a alguma circunstância ou a algum estado. In CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Vol. 2. São Paulo: Hagnos, 2004, p. 229.

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